• Guilherme Castro

Agtechs e crescimento acelerado

O desenvolvimento cada vez mais veloz de novas tecnologias cativa um público que busca, de forma exponencial, soluções novas, mais simples e eficazes a fim de resolver problemas comuns ao dia a dia. Nesse sentido, empreendedores se atentam às novas possibilidades de mercado e buscam entregar ferramentas que compreendam as dores e gerem impacto. Naturalmente, esse fluxo de possibilidades começa a interagir com as dores do campo, dando origem à Agricultura 4.0 e, consequentemente, às Agtechs.


O desenvolvimento cada vez mais veloz de novas tecnologias cativa um público que busca, de forma exponencial, soluções novas, mais simples e eficazes a fim de resolver problemas comuns ao dia a dia. Nesse sentido, empreendedores se atentam às novas possibilidades de mercado e buscam entregar ferramentas que compreendam as dores e gerem impacto. Naturalmente, esse fluxo de possibilidades começa a interagir com as dores do campo, dando origem à Agricultura 4.0 e, consequentemente, às Agtechs.


Essa expansão tecnológica no campo, na maioria das vezes, se depara com um ambiente repleto de particularidades. O agro é um espaço singular, que tem o seu próprio tempo: sua janela é estreita e pede ao empreendedor uma acurácia aguçada no momento de testar a tecnologia ou de pivotar. Demonstrar valor no campo acaba sendo um desafio - e uma necessidade - e depende do quão funcional se mostra a sua solução em relação às poucas oportunidades de evoluí-la.


Nesse sentido, quando falamos de investimento, as particularidades do campo devem ser não só consideradas, mas também compreendidas e aproveitadas. Os ciclos de investimentos em startups possuem um potencial enorme, por acelerarem muito a inovação e a geração de valor, sendo responsáveis por levar mercados a novos patamares de eficiência em pouco tempo. Foi a partir dessa reflexão e da oportunidade de juntar três CEOs de startups do agro em uma conversa que surgiu o FutureAgro: Financiando Crecsimentos em Agtechs, terceiro Webinar da Cromai, que contou com a minha presença, representando a Cromai, a do Bernardo Fabiani (TerraMagna) e a do Rodrigo Iafelice (Agtrace). A live, que aconteceu no dia 17/12/2020, colocou em pauta as propriedades do ciclo do agro, as diferentes etapas do desenvolvimento de uma agtech, e os desafios de escala, tração e de investimento.



Para entender as dificuldades de endereçar uma solução no vasto e particular espaço do agro, é importante compreender a forma como esse espaço interage com novas tecnologias. É necessário, primeiramente, romper com uma perspectiva que coloca o profissional do campo como resistente ao novo. Pode haver, de fato, uma tendência a rejeição desses profissionais a novas “tecnologias revolucionárias” que surgem sucessivamente no mercado. Porém, essa rejeição se deve ao histórico de soluções que, em sua maior parte, não demonstram valor nenhum. Há diversos fatores que colaboram para esse problema, e um deles é a falta de sensibilidade do empreendedor para com o espaço do campo. De acordo com Bernardo Fabiani, fundador e CEO da TerraMagna, desenvolver primeiro uma tecnologia e usá-la para endereçar a algum segmento do mercado é, geralmente, uma ótica incorreta ao se empreender no agro. É necessário ver a tecnologia como uma ferramenta útil para um problema já existente, sendo uma consequência de um problema. Assim, identificar uma dor que valha a pena ser resolvida e entender os alinhamentos necessários para para gerar interesse na sua utilidade se estabelecem como os principais desafios.


Uma síntese da dinâmica de desenvolvimento das startups poderia ser: aprender muito rápido, errar, evoluir e pivotar. No caso das Agtechs, as limitações deste espaço, as sazonalidades, as particularidades do ciclo de desenvolvimento das plantas ou de orçamentação exigem das startups precisão no momento de depositar energia. As janelas estreitas e específicas cobram uma dinâmica diferente ao lidar com problemas e a chance de sucesso acaba sendo proporcional à velocidade em que você evolui. Por causa dessa sazonalidade, a startup passa por momentos bem demarcados que são acompanhados de seus respectivos desafios: após identificar a dor, aprender muito sobre ela, e entregar uma proposta de valor, surgem novas questões para se obter tração e trabalhar com escala. Indo além, ter clareza do momento em que a startup está e de seus principais objetivos para evoluir para uma próxima etapa é extremamente importante, e, nessa dinâmica do agro, pode ser a diferença entre um fracasso e um sucesso em uma captação de recursos ou até mesmo como empresa.


O desenvolvimento não trivial das Agtechs é refletido nas diferentes necessidades de cada um dos seus ciclos. É comum, frente às janelas específicas, surgirem dúvidas a respeito das oportunidades de demonstrar valor no momento da busca por investimento, surgindo o desafio de equalizar o investidor, o ciclo da startup e o melhor momento para esse investimento. Para Rodrigo Iafelice (Agtrace), isso depende de uma análise precisa do momento em que a empresa se encontra e suas respectivas demandas. Se há um mercado contaminado por ideias fracassadas, como dito anteriormente, torna-se importante se destacar com um objetivo claro e demonstrar o valor que a sua solução entrega e o quanto este é factível. Esse delineamento de valores e objetivos que a startup busca entregar em determinado período a partir do investimento deve servir como um norte de orientação para a empresa inteira, estabelecendo uma sinergia que será fundamental na resolução dos próximos desafios.


Compreender detalhes sobre as vantagens e dificuldades de se empreender no agro serão fundamentais para colocar a startup em um lugar de destaque. Apesar de ainda termos no Brasil poucos fundos de investimento com ampla atuação no agro, a safra brasileira possibilita mais possibilidades de ação em campo em relação às safras do hemisfério norte, por exemplo, colocando as Agtechs que se estabelecem por aqui a um passo à frente.


Um consenso geral da nossa mesa de conversa é, sem dúvidas, a necessidade urgente do empreendedor conhecer e se adequar às dinâmicas do campo: buscar as melhores formas de se comunicar com os profissionais, investir em estratégias que façam sentido nesse contexto específico, combater com funcionalidade e impacto a desconfiança que se estabeleceu nesse mercado, compreender a necessidade de apresentar a tecnologia para os produtores pequenos (que compõem a maior parte do mercado) e, acima de tudo, ter um foco rígido na entrega de redução de custos e aumento de produtividade.


Por fim, tivemos como resultado uma conversa franca e extremamente importante, construída por pessoas que vivenciaram (e vivenciam) esses desafios na pele. Desmistificar certos valores da “cultura da startup” se mostra necessário tanto para uma purificação da reputação dessas iniciativas no agro, quanto para propor uma agricultura mais sustentável, e entregar evolução e valor de fato. Além disso, somar as Agtechs, que são criadas com uma velocidade crescente, com investidores que procuram, cada vez mais, inovações para o agro brasileiro pode, em pouco tempo, levar o nosso agro a um novo patamar de eficiência e sustentabilidade. A conversa na íntegra está disponível abaixo:






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